quinta-feira, 16 de junho de 2011

Coitadismo instituído.

No ano de 2009, tive a oportunidade de assistir a entrevista que o jornalista Reinaldo Azevedo concedeu ao Jô Soares. Nessa entrevista, dentre certos argumentos, muito bem ditos, mas passível de discórdia, o jornalista tocou em um ponto que venho observado e que se tornou um artificio muito usado pelas pessoas nos dias atuais. A chamada cultura do "coitadismo", tem tomado grandes proporções no nosso país. Na entrevista, Reinaldo Azevedo aplica essa cultura à situações como: se você for bem sucedido, talentoso, nunca passou fome, teve sempre um teto sobre a sua cabeça e uma cama para deitar, você não merece esse sucesso, logo, se você não for um coitado que tenha passado por maus bocados, você está fadado a ser um idiota. Palavras sábias essas proferidas pelo jornalista. A verdade é que essa cultura não é só usada por pessoas que trabalham e que tem uma vivência razoável. É visível, cada dia mais, pessoas mais jovens, mais velhas, de 10, 20, 30, 40 anos, usando do artifício do coitadismo para conseguir ser notado, para poder atender seus interesses através da comoção das pessoas, a chamada chantagem emocional. É fácil perceber nas pessoas os chamados complexos de inferioridade, ou de perseguição. Essas pessoas se auto-desvalorizam, se jogando em constantes "depressões", que nada mais são do que artifícios, fingimentos, que tais indivíduos usam para ter alguém ao seu lado te consolando, se importando, sendo solidário.
Analisando essas pessoas e analisando-me, me alegro em dizer que de maneira alguma faço parte desse grupo. E quando eu digo que não faço parte desse grupo as pessoas logo estigmam em suas cabeças a ideia de que alguém que não é um coitado, ou não se sente como coitado, logo é o tão falado convencido, o individuo que se acha demais, a última bolacha do pacote e outras denominações convencionadas pela sociedade. Tenho pra mim que não é questão de ser convencido ou ter complexo de superioridade. Tenho pra mim que se você exalta seus defeitos e esconde suas qualidades, você não estará sendo modesto, você estará sendo um hipócrita. Ora, as pessoas quando vão se conhecer, de imediato dizem "oi, meu nome é Carlos e eu sou muito pouco inteligente, sou sedentário, ranzinza, ciumento ao extremo, mas então, quer me conhecer" ? Creio que não. As pessoas deveriam parar de serem hipócritas e pseudo-modestas e extinguirem de suas mentes a ideia de que não se pode ressaltar suas qualidades que compõem sua aparência ou sua personalidade, e ainda deveriam conceber a ideia de que se auto-valorizar não significa necessariamente menosprezar os outros.As pessoas tem de parar com essa cultura "coitadista", passando dessa forma a exaltar suas qualidades e dessa maneira deixar os defeitos ser mais exaltados ou não às qualidades.

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